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As alegrias, tristezas e os desafios de viver em outro país

As alegrias, tristezas e os desafios de viver em outro país

Quando partimos para morar em outro país, trazemos conosco nossa cultura, nossa gente, o berço da nossa civilização, nossas raízes. Queremos proximidade com o outro, não queremos segregação. Muitas vezes criamos núcleos de afetos com nossos conterrâneos por medo ou insegurança de se inserir em um grupo diferente do nosso. Precisamos mostrar nossa própria identidade e sedimentar nossos princípios e valores para nos sentirmos aceitos em uma cultura diferente da nossa. Neste mundo novo temos que aprender a sobreviver, a experimentar novos sabores, aprender um idioma desconhecido, se integrar em uma sociedade nova e inusitada. Na verdade, estamos dando os primeiros passos de uma criança, quando começa a desvendar um novo mundo. Estes passos vão se firmando a medida em que me fortaleço nas minhas relações sociais, nos laços de amizades, no encontro fortuito, no aperto de mão, num sorriso, num olhar, num bom dia. A inclusão social, a adaptação de um indivíduo em um novo país não começa de maneira fácil, tranquila. Ela vem com tropeços, inseguranças, dúvidas, mas também vem na apresentação de uma nova cultura.

Nós estrangeiros, deixamos de lado a nossa família, nossos filhos, nossos pais, parentes e reaprendemos a viver em uma nova família, em uma nova cultura, em um novo estilo de vida. Nossas origens, nosso mundo ficam para trás, mas eternizados para sempre em nossos corações. Entrevistei a brasileira Lidiane Müller e ela nos contou um pouco como é viver longe de casa e os desafios de ser um estrangeiro em um país de primeiro mundo.

Em que estado você nasceu no Brasil?

Eu nasci no Rio de Janeiro, na região serrana na cidade de Teresópolis e cresci na cidade de Magé.

Há quanto tempo você está na Alemanha ?

Desde de dezembro de 2010, mas eu vim pela primeira vez em 2006 e sempre vinha todos os anos até morar definitivamente.

O que te trouxe até a Alemanha?

O amor me trouxe aqui para a Alemanha. Meu marido (atualmente ex-marido) não queria viver no Brasil, pois ele não teria emprego de carpinteiro como aqui na Alemanha. Aqui não faltava emprego. Mas só vim definitivamente depois que terminei a universidade federal de Pedagogia que era o meu maior objetivo.

Qual é a sua percepção dos alemães?

O alemães são pessoas diretas e falam sem rodeios. Precisa de tempo para fazer amizades, mas depois são amigos mesmo. São muito organizados e pontuais.

O que você mais gosta da cultura da Alemanha e o que menos gosta?

Eu gosto da comida, dos costumes festivos como, por exemplo, a páscoa em procurar os ovos cozidos de galinha. As decorações nas casas e as luzes no Natal entrando em um clima natalino. O que menos gosto é a ironia por trás das palavras e às vezes, eu não consigo responder rápido.

Quais ou qual foi até agora o maior desafio de morar na Alemanha para você?

O maior desafio foi aprender o idioma, reconhecer o meu diploma de Pedagogia e voltar no seletivo mercado de trabalho.

Você já sofreu discriminação racial na Alemanha? Se sim, o que foi e como ocorreu?

Sim, algumas vezes quando eu trabalhava na gastronomia como garçonete que vinha pessoas do Mundo todo e em um Jardim de infância a colega disse que eu teria que trabalhar com os cabelos presos, pois as crianças não me reconheceriam, pois, cada dia eu vinha com um penteado novo ou meus crespos soltos. Depois, eu deixei este emprego.

Você se sente em casa morando fora de casa?

Antigamente sem filhos me sentia que não pertencia em nenhum lugar. Depois que viajei bastante pelo mundo, me mudei muitas vezes e fui mãe, me sinto em casa morando aqui na Alemanha, até a chave da casa da minha mãe que eu tinha aqui na Alemanha eu devolvi.

O que você mais sente falta em morar fora do Brasil?

No início eu sentia falta de tudo, principalmente da minha família e amigos, dos aniversários que não posso mais participar, da comida de rua que eu amava, da simplicidade da vida da onde cresci, a possibilidade em ver meus sobrinhos crescerem e poder ser uma tia ativa.

Você trabalha na Alemanha? O que faz e nos diga se foi difícil enfrentar o mercado de trabalho alemão?

Sim, eu sou Pedagoga e trabalho atualmente no Jardim de infância (Kindergarten) com criança entre 3 e 6 anos. O mercado de trabalho na minha área tem muito emprego e posso ter o privilégio de poder escolher onde trabalhar. Mas sem o reconhecimento alemão do diploma não seria possível trabalhar na área. Além da experiência ser um fator importante. Posso trabalhar em outras áreas também como por exemplo: com o conselho tutelar, dar assistência as famílias, centros familiares, clínica de reabilitação, orfanatos, na escola com crianças que precisam de auxílio pedagógico…

Você tem 4 filhos. Como é ser mãe, dona de casa, esposa e cuidar de 4 crianças na Alemanha?

É um desafio cotidiano entre a sanidade mental e a loucura. Estou brincando, mas tem um pouco de verdade, mas não é fácil, pois as crianças têm suas necessidades. Mas sempre eles em primeiro lugar e aproveito casa segundo com eles, pois o tempo passa muito rápido. Sem rotina é impossível dar conta de tudo. Por isso tem horário para tudo acordar, lanchar e dormir. Acordo às 5 da manha diariamente e depois acordo eles as 6 da manhã, para terem tempo para fazer tudo sem estresse e chegar no horário no meu trabalho. Eu não tenho ajuda de ninguém de fora, eu faço tudo sozinha. Arrumo a casa de noite e outras de manhã cedo antes deles acordarem. Acho importante de tarde depois que chego do trabalho e eles do jardim de infância caminhar ou ir ao parquinho.

Quais são os seus sonhos para o futuro?

Eu já realizei muitos sonhos que tinha, mas eu ainda desejo terminar o meu curso de alemão até o último nível que não consegui terminar, viajar o mundo todo e escrever meu próprio livro.

Você pretende voltar para o Brasil ou somente a passeio?

Eu só pretendo voltar a passeio, pois aqui me sinto mais segura.

Qual ou quais os conselhos que você daria para uma pessoa que tem o desejo de morar em outro país?

Viver na Europa não é fácil no início, mas depois que aprende o idioma é como ter uma chave para abrir portas. O mundo glamouroso que todos mostram tem por trás muitas lutas e que as pessoas não mostram, todo o processo precisa de tempo e paciência. Muitas profissões não são reconhecidas. Então tenha sempre em mente um plano B também. Não tenha vergonha de recomeçar quantas vezes foram necessárias, o importante de tudo é não desistir em hipótese nenhuma. Tenha em mente pequenas metas para evitar frustrações e chegará às suas grandes metas e sonhos realizados.

Por Claudia Hosbach @claudiapoetisa

Correspondente Entre Brasucas na Alemanha

Lidiane Müller

@pobrenaalemanha_milionaria

[email protected]

  • Dani

    Dani

    13/11/2021

    Amo o Instagram dela sigo ela já há um tempo.

  • Tiffany Maria

    Tiffany Maria

    14/11/2021

    Que Inspiradora!
    Deus abençoe e guie seus passos sempre!

  • Simone

    Simone

    15/11/2021

    Voce é super! Parabéns! Mulher batalhadora que vai atrás dos seus sonhos! Isso mesmo!

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