Conheça Clarissa Hilzendeger – A Cientista Brasileira que vive na Bélgica

Conheça Clarissa Hilzendeger – A Cientista Brasileira que vive na Bélgica

A menina que sonhava em ser veterinária desde pequena, hoje vive na Bélgica há 8 anos e trabalha como cientista em uma empresa que produz medicamentos para combater o câncer. A história da catarinense  Clarissa Hilzendeger, relata a constante dedicação aos estudos e os frutos oriundos de uma vida acadêmica bastante intensa.

Clarissa, conte para a gente o que você queria ser quando crescesse?

   Desde pequena, sempre quis ser veterinária. Outras profissões que descobri um pouco mais tarde e que chamaram minha atenção foram cientista e professora universitária.

Como começou sua aventura acadêmica no Brasil e no exterior?

Após minha graduação na UDESC (Lages-SC), eu trabalhei como veterinária durante 2,5 anos. Enquanto exercia, cresceu minha vontade de ser professora em uma faculdade, mas para isso eu precisaria fazer mestrado e doutorado. Tive a oportunidade de fazer meu mestrado em Ciências da Saúde na Unisul (Tubarão-SC), quando pude ter o primeiro contato com a Universidade de Liège (Liège-Bélgica). Graças a um projeto de cooperação internacional aprovado pela minha supervisora (Prof.a Dr.a Jane da Silva), fiz a parte experimental do mestrado na Universidade de Liège. Mais tarde, no mesmo ano, o professor que supervisou os experimentos em Liège me ofereceu uma bolsa de doutorado na Universidade de Liège! O que aceitei com muito prazer e honra.

A sua família te incentivou?

Muito! Sem minha família eu não teria conseguido aproveitar esta oportunidade. O suporte financeiro e moral deles foi indispensável para que eu conseguisse fazer o mestrado e o doutorado, tanto no Brasil quanto no exterior. Essa formação foi o que abriu as portas para viver e trabalhar na Bélgica.

Para poder estudar na Bélgica você precisou de uma segunda língua. Se dedicou a aprender o francês há muito tempo?

Para o mestrado, como foram somente 2 meses de trabalho na Bélgica, não tive tempo de fazer um curso, mas fui aprendendo um pouquinho diariamente. Quando iniciei o doutorado, a universidade oferecia curso de francês gratuito! Foi muito importante fazer este curso, porque aprendi não só a língua, como também sobre a cultura belga.

Como foi a adaptação fora do Brasil?

Os primeiros meses foram bem difíceis. Levei um bom tempo para me adaptar ao modo de vida belga, conhecer a cultura, as particularidades da vida social e estilo de vida das pessoas aqui. Cometi várias gafes!

A primeira vez foi o mestrado, depois o doutorado? Como isto tudo aconteceu?

  Graças ao projeto de cooperação internacional aprovado pela Prof.a Dr.a Jane da Silva, fiz a parte experimental do mestrado (2 meses de trabalho no laboratório) na Universidade de Liège. Mais tarde, no mesmo ano, o professor que supervisou os experimentos em Liège me ofereceu uma bolsa de doutorado na Universidade de Liège. Resultado: 8 meses (e muitos documentos) depois da primeira vinda à Bélgica, estava voltando para Liège com duas malas de 32kg cada (sim, ainda era possível embarcar todo esse peso) para uma aventura de 4 anos.

Em algum momento você pensou. Meu Deus o que estou fazendo aqui?

   Várias vezes! Levei bastante tempo para conseguir me comunicar com as pessoas e ter uma vida social ativa. Fazer amigos no início foi bem complicado porque eu não conhecia os códigos das relações sociais aqui. Coisas simples como não visitar alguém sem avisar, levar uma bebida quando for convidado para uma janta, etc. A gente vai aprendendo aos poucos. Mas uma vez que você faz amizades e tem uma vida social ativa, é muito bom!

Onde e o que voce faz hoje?

Hoje eu trabalho em uma empresa belga que fabrica tratamentos com células (terapia celular) contra o câncer. Trabalho no departamento de controle de qualidade.

Olhando para trás, como você avalia sua vida nos últimos anos?

Foi tudo muito gratificante e interessante, mesmo que não tenha sido fácil. Hoje em dia, faço o que gosto, tenho uma vida boa, família (do lado do meu companheiro) e amigos. Viver longe da minha família não é fácil, mas existem altos e baixos e eu tento visitar o Brasil sempre que posso.

Você imaginou estar atuando na área da ciência?

  Sempre quis trabalhar com ciência, tanto na área veterinária quanto na pesquisa.

Quais são seus planos para o futuro?

Aprender cada vez mais e melhorar sempre no que faço, comprar uma casa e talvez um dia fundar uma família.

Para algum Universitário que sonha em alçar vôos mais altos, como os seus, qual seria seu conselho baseado no que você viveu?

Buscar estudar fora do país para conhecer melhor o país pelo qual está interessado antes de tomar qualquer decisão. O dia-a-dia quando visitamos como turistas pode ser bem diferente de quando moramos no local. Além disso, ter um diploma local ajuda muito na hora de buscar um trabalho e permite tecer relações.

Deixei de perguntar alguma coisa que você gostaria de contar?

Gostaria de dizer que é preciso muita perseverança, abertura de espírito e dedicação para aprender a se adaptar a um novo mundo quando se decide viver em outro país.

Katia Fernandes

Entre Brasucas

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